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MINHA AMADA Seda, liblina. Violeta, espuma. Recolhimento. A palavra exata que se me escapa. Seda, liblina, leite moça. Única.
Escrito por Carlos Barbosa às 17h45
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MINHA FILHA

Tanto tempo passou e Maíra continua minha menina linda. Esta foto é de 1983, por aí. Maçã e bandeira nas mãos, e no rosto o sorriso de quem, ainda hoje, ignora pedras no caminho. Maíra pinta melhor que Monet. Tenho uns quadros aqui para provar. Gosta muito de dançar, de Barbie, de Nossa Senhora Aparecida, de revista de noivas, de tudo que está na moda. Por Maíra penso no futuro. Em tudo que faço, por tudo que passo, seu nome guardo no suor e nas lágrimas que derramo. Repito o que escrevi aqui tempos atrás: eu só queria que ela não sofresse.
Escrito por Carlos Barbosa às 23h22
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MINHA IRMÃ

Depois chegaria minha irmã Abigail, Bibi, Bizinha. Nesta fotografia, faltava pouco para ela completar um ano de idade. E já se mantinha firme e risonha no mundo. Lourinha, quem diria. Reparem na cadeira de Januária servindo mais uma vez de trono naquela pobreza limpinha do sertão. Bibi sempre reuniu vivacidade, inteligência e sociabilidade em doses inimagináveis para mim. Hoje é especialista em periodontia e implantodontia. Irá mais longe ainda, pois tem azulejado seu caminho com muita competência e habilidade. Houve um tempo, houve um lugar. Tempo e lugar que carregamos feito andor nessa procissão que chamamos vida. Vida longa, Bibi.
Escrito por Carlos Barbosa às 12h12
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MEU IRMÃO E EU

Esta é a segunda e última foto de minha infância. Eu tinha menos de dois anos; meu irmão, cinco e pouco. Uma cadeira de Januária, dobrável e de assento de couro, voltava a compor a cena. Minha miudeza exigiu um travesseiro para ficar à altura de Nelsinho. O pano estampado preso à parede não ajudou muito a definir contornos. Agora, reparem na expressão serenamente canalha de meu irmão. Ele não me queria na foto. Depois, não gostou de ficar com o banquinho. Obrigado a se comportar, fez como sempre fazia: descontou em mim. A mão direita dele, apoiada em meu ombro, me puxava e me beliscava. E eu escorregava, quase caía da cadeira e choramingava. Tudo isso me vem durante vigílias. Acordo em espantos. E sorrio para o conto que se esconde no conjuntinho de marinheiro.
Escrito por Carlos Barbosa às 00h18
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PRIMEIRA FOTOGRAFIA

Esta fotografia é a primeira de minha infância. Sem data. À sombra da gameleira, no Brundué. Nasci em maio, bem aí, na casa que não se vê. Minha mãe deve ter para lá retornado no final do ano, 1958. A mão assustada que se intromete na foto prova que eu ainda não me aguentava sentado sozinho. E já estava aos berros na vida. Um sertanejo que começava o aprendizado da sobrevivência. Em precário equilíbrio.
Escrito por Carlos Barbosa às 17h46
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MEUS MORTOS 
Esta foto é de 27 de fevereiro de 1955. No colo de meus pais, o primeiro filho, Antonio Nélson, Nelsinho, aos três meses e meio de idade. No inverno daquele ano, Nelsinho desenvolveu uma bronquite asmática, crupe. E por recomendação médica, meus pais voltaram para o sertão da Bahia, clima quente e seco. Meu pai também não suportou bem a vida paulistana em cima de andaimes. Chuva e frio o deixavam constantemente adoentado. Nelsinho foi o primeiro a partir, em setembro de 1969. Foi derrubado do alto de um caminhão boiadeiro pelos fios de eletricidade que cruzavam a rua. No meu próximo romance a ser lançado, faço-lhe uma homenagem. Depois, minha mãe, em outubro de 2001, vítima de AVC. No conto “Corpo de mãe”, ainda inédito, relato a agonia, dela e minha, em seus últimos dias. Meu pai partiu em abril de 2005, devastado pelo Parkinson. Fiquei ao seu lado durante os últimos anos, meses, dias e horas. Vesti-o depois de morto. Ainda não tive condições de escrever sobre ele, um homem cuja dignidade não conhecia limites. E que parecia carregar no peito toda a coragem do mundo.
Escrito por Carlos Barbosa às 12h48
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MEUS PAIS NA PAULISTA

Estes dois na foto são meus pais. O ano, provavelmente, 1952 ou 53, antes de prepararem o primeiro filho. O lugar, a avenida Paulista. Considero esta foto um tratado sociológico. Ele, um operário da construção civil; ela, doméstica. Ele, num terno alinhado, todo elegância; ela, que costurava suas próprias roupas, num vestido cintado (ou seria um sobretudo leve?) não menos elegante na sobriedade típica de casada. Os dois viviam do mínimo, na vila Bonilha, Lapa, então periferia paulistana, numa casinha de madeira nos fundos de um terreno. Os dois passeavam na Paulista num ensolarado domingo. Luminosos. Belos. Agora pensem num casal que viva hoje do mínimo em São Paulo.
Escrito por Carlos Barbosa às 12h59
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PAULISTANAS
São Paulo, de dez às quatro, parece estranhamente civilizada. A retrospectiva de Vik Muniz no MASP revigora o visitante, mesmo que não faça o mesmo com as artes plásticas brasileiras, como berram alguns. É sempre bom topar com criatividade divertida ou com diversão criativa. E se espantar com, digamos, peças que surpreendem e impactam positivamente. O Museu da Língua Portuguesa é um bom lugar para se morar. Na impossibilidade, um lugar para se voltar muitas vezes. O maior exemplo que a língua escrita e falada ainda tem muito babado a bordar. O Museu do Futebol, no estádio do Pacaembu, oferece uma overdose do melhor que o esporte ofereceu e pode oferecer. A sala das torcidas enlouquecidas nos estádios, em sucessivas sequências em telões assimétricos, consegue seduzir cegos e surdos-mudos. Ouvir os grandes locutores de rádio, ver os gols inesquecíveis para jornalistas e personalidades diversas e a passadinha que se dá na arquibancada do Pacaembu, fazem do Museu do Futebol um brinquedo daqueles. Com você em mim, andei um pouco por essa cidade monumento da loucura humana. Aos pedaços, ela e eu.
Escrito por Carlos Barbosa às 20h58
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SABEDORIA "Quem sofre mais, sonha mais e tem mais poder" (Alexandre Tseretsé, índio xavante, em vídeo no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo)
Escrito por Carlos Barbosa às 16h29
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DUAS LEITURAS ROGER MARTIN DU GARD - No capítulo "La Sorellina", vol. II de "Os Thibault", o mestre Jalicourt diz a Jacques, que lhe pede orientação para se tornar um romancista: "Que quer de mim, senhor? Um conselho? Tome cuidado, ei-lo! Deixe os livros, siga o seu instinto! Aprenda qualquer coisa, senhor: se o senhor tiver um pouquinho de gênio, nunca poderá crescer senão de dentro para fora, pelo impulso de suas próprias forças!... Quem sabe se ainda é tempo? Apresse-se! Vá viver! Não importa como, não importa onde! O senhor não tem vinte anos, olhos, pernas? Escute Jalicourt. Entre para um jornal, corra atrás dos faits divers. Está me entendendo? Eu não sou louco. Os faits divers! O mergulho na fossa comum! Nada melhor para limpar a gente. Movimente-se da manhã à noite, não perca um acidente, um suicídio, um processo, um drama mundano, um crime de lupanar! Abra os olhos, olhe tudo o que uma civilização arrasta atrás de si, de bom, de mau, o insuspeitado, o ininventável! E talvez que depois disso o senhor possa dizer qualquer coisa sobre os homens, sobre a sociedade... sobre o senhor mesmo!" Como não ter febre depois de ler esse trecho? Não tive um mestre Jalicourt, mas agora sei porque sou um romancista, modéstia às favas. DRIEU LA ROCHELE - Em "O homem a cavalo" torna-se profeta na voz do ditador Jaime Torrijos: "Quero renovar o povo índio. Como homem de estado, quero o que é inevitável. O sangue espanhol não é quase nada mais na América do Sul. Será afogado. A raça índia renascerá do terrível golpe que recebeu, se adaptará, assimilará a vida de seus antigos vencedores. Sairá de sua preguiça, que é a de um doente, de um convalescente. Do México à Bolívia vai ser assim. Não passo de um precursor, mas terei muitos sucessores."
Escrito por Carlos Barbosa às 23h44
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FALA, RUY (I) Leiam abaixo a primeira parte da entrevista que o escritor Ruy Espinheira Filho concedeu a Luciano Lanzillotti. "A primeira vez que encontrei a poesia de Ruy Espinheira Filho foi em uma feira de livros no Rio de Janeiro, Poesia Reunida e Inéditos, lá se vão quase dez anos daquele primeiro contato. O mais surpreendente desta história é que fui conhecê-lo pessoalmente alguns anos depois na mesma feira itinerante de livros no dia em que o poeta iria receber o prêmio na ABL pelo seu primoroso Elegia de Agosto. Naquele dia passamos a manhã conversando sobre livros e sobre a vida, uma conversa que já se iniciara bem antes e continua até hoje. Durante este tempo tenho tido a felicidade de compartilhar da amizade de um poeta simples e humano, sempre disposto a um diálogo igualitário, sem o distanciamento que muitas vezes se estabelece entre escritores e leitores. Impossível ler seus poemas e não nos sensibilizarmos diante dos questionamentos, pois são nossos também, compartilharmos das mesmas felicidades e agruras ao longo da vida, assim nada mais natural que ele fale “de sentimentos humanos em linguagem humana”, tal qual fez Manuel Bandeira. Nesta conversa o poeta nos esclarece seus principais campos temáticos e nos convida a visitar sua “fabulista memória”. LL - Heléboro, primeiro livro publicado por você na década de 1970, já traz em si várias tendências de sua poesia, sobretudo, a contenção expressiva e o lirismo elegíaco. A divisão do livro em duas partes (I-Longe de sírius e II- Música pretérita) revela o mal-estar existente em relação ao que é inatingível enquanto experiência táctil, mas que se busca através da junção entre memória e recriação. O passado acaba tendo, desde então, um lugar privilegiado. Fale-nos sobre a relação estabelecida entre sua poesia e a passagem do tempo. R – Jorge Luís Borges dizia que todos os animais são eternos, menos o homem – porque o homem possui o conceito de tempo sucessivo, ou seja, tem consciência da passagem do tempo, que com ele leva a vida. A vida, sim, não apenas as coisas, como escreveu Ovídio. Em outras palavras: nos leva à morte. E esta é a nossa angústia maior: a consciência da morte. Assim, como todo mundo, desde cedo senti-me participante deste drama. E como escrevo com a vida, é claro que a consciência do tempo teria de estar presente. Quanto ao passado, é a única coisa que realmente possuímos – e que a fabulista memória vai cada vez mais tornando preciosa. Enfim, escrevo com o que há de mais forte em mim: o sentimento do efêmero e a memória. Que é o que somos todos nós: a nossa memória. O nosso passado. Encerrei um poema (“As meninas”, de Julgado do vento) com este verso: “o passado não passa.”
LL - O Senhor lançou livros de crítica sobre Jorge de Lima, Mario de Andrade e Manuel Bandeira. Qual a influência da leitura desses e de outros poetas em sua poesia? R – Influenciaram-me muito, os três, pois eram mestres de poesia. No caso do Mário, sua influência foi mais crítica, ensinando-me, por exemplo, que a originalidade está em nós mesmos. Jorge de Lima e Bandeira foram mais mestres de poesia propriamente dita. Mas recebi e recebo a influência de muitos outros autores – como Camões, Drummond, Vinícius, Cecília, Sosígenes Costa, Carlos Pena filho e até Olavo Bilac, para só ficarmos nestes de língua portuguesa. LL - Ainda sobre a relação entre memória e passagem do tempo. O senhor escreve em “Insônia”: “que lembrar é a minha natureza e às vezes/ um desespero.” Em outro Poema: “mais pleno é o perdido, pois o resto/ ainda não se cumpriu.” A recordação de tudo que fora perdido é concomitantemente agonia e bálsamo ? R – Lembrar pode ser, mesmo, às vezes, um desespero, sobretudo por não podermos assumir de forma total esse tempo contemplado, evocado, ou não suportar, como dizia Camões, “a grande dor das coisas que passaram”. E que, como já foi dito, porque passaram não passam nunca... Sim: a recordação é às vezes bálsamo, às vezes agonia. O outro verso que você cita ilustra o que falei há pouco sobre a memória e o passado: é claro que o que se foi é mais pleno, pois já está inteiramente realizado, cumprido, enquanto o presente e o que podemos chamar de futuro não chegaram a tal realização, ainda se encontram em processo ou apenas em estado de expectativa, anseio, sonho. LL - Elegia de agosto, seu mais recente livro de poesias, traz em seu conjunto um poema homônimo ao título, que fala da dor de Drummond diante da perda da filha. Manuel Bandeira publicou um poema com esse mesmo nome. Sendo ou não uma coincidência, em alguns aspectos sua obra poética faz lembrar temas bandeirianos que são também temas de outros poetas, quiçá, de toda a poesia, até aí nada de novo. Enquanto Bandeira fala da vida que poderia ter sido, em sua obra perpassa, ao contrário, uma vida que foi e só volta a partir da recordação, seja ela real ou fictícia. Qual o papel da recordação em sua poesia, somente o que fora perdido é realmente nosso para sempre? R – Esta é uma pergunta cheia de perguntas. Drummond viver mais alguns dias só para sofrer com a morte da filha única foi uma tragédia que me comoveu muito, daí o poema. Como o fato se deu em agosto, a elegia só poderia ser de agosto. O poema de Bandeira com título idêntico fala de coisa totalmente diversa e, a meu ver, sem valor poético: sua decepção diante da renúncia de Jânio Quadros. Creio que a segunda pergunta já está parcialmente respondida acima. Quanto a viver (ou reviver) pela recordação, direi que se trata de algo que acontece a todos os humanos. “Recordar é viver”, dizia o velho samba, repetindo um velhíssimo dito popular. Na verdade, todos os escritores, não apenas os poetas, escrevem muito mais com a memória do que com qualquer outro, digamos, encantamento. LL- A recordação da mulher amada, em alguns de seus poemas, trata ora de relações envoltas em dor, ora de descrições de mulheres que lembram semideusas. Uma outra vertente de sua poesia amorosa, entretanto, fala-nos de certa mulher tangível, humana, e vê o amor como o encontro entre os corpos. Essas duas vertentes caminham juntas no tema amoroso de sua poesia ou a tendência é uma suplantar a outra ? É possível as almas se entenderem tão bem quanto os corpos? R – Não me acho diferente dos outros no caso da poesia amorosa. O que acontece é que as mulheres são bruxas, como dizia Nikolai Gogol, que tanto podem ser deusas, semideusas, como carne terrestre vibrante de sensualidade. Para mim, as mulheres são capazes de tudo, podem ser tudo, inclusive num só tempo. Sou grato a elas até pelos momentos de angústia – porque esses transes cruciantes também me enriqueceram. Quanto ao entendimento das almas, Manuel Bandeira achava que não era possível – e quem sou eu para discordar do mestre? LL - A infância em Jequié e Poções nos é passada como cercada de magia: lugar mítico onde a felicidade fora completa, sobretudo, pela presença dos que hoje se encontram “ausentes” e pela liberdade das brincadeiras ao ar livre. Sobressaí, entretanto, a impossibilidade de reviver aqueles momentos, instaurando-se, assim, a tristeza. A infância nessas cidades foi algo fundamental em sua vida, sobretudo, como poeta? Qual a sua relação com esse período da vida? O menino ainda existe no homem? R – A infância foi em Poções, a adolescência em Jequié. Houve magia, sim, e muita, nesses meus dois períodos de vida. Na verdade, houve magia em minha vida toda – e ainda há. Às vezes é uma magia cruel, mas magia, pois a vida não tem sentido, não tem lógica, só a magia pode dar-lhe sentido, o sentido da magia. Nunca aceitei bem a separação que se faz entre sonho e realidade, sinto-me cada vez mais inclinado a concordar com Calderón de la Barca: la vida es sueño. Quem me prova que não é?
Luciano Lanzillotti é pesquisador de doutorado da UFRJ com tese sobre as obras de Ruy Espinheira Filho e Manuel Bandeira. lmlanzillotti@gmail.com
Escrito por Carlos Barbosa às 00h33
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NICOLAU & RICARDO, DETETIVES O jornal de literatura Rascunho, publicado em Curitiba/PR, na edição deste mês, abriu página e meia para os detetives Nicolau & Ricardo, criação de Mayrant Gallo. Estão lá todos os minicontos da primeira temporada. Quem já os leu no blogue "NãoLeia!" terá maior prazer em relê-los em meio impresso. E quem não conhece a dupla e a prosa curtíssima de Mayrant Gallo pode conhecê-las agora em www.rascunho.com.br. E parabéns a Mayrant. A boa literatura sempre acha maneira de vir a lume.
Escrito por Carlos Barbosa às 16h51
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BARICCO Fitavam aquele salto preto, agulha, e levou um nada para verem - um instante depois do inevitável flash de um tornozelo em náilon escuro - ver o passo que o tinha perdido, exatamente o passo, entendido como ritmo e dança, compasso fêmea esmaltado náilon escuro. Viram-no primeiramente no pêndulo dançante de duas pernas finas, e depois na guinada macia que o seio, debaixo da blusa, condensava, devolvendo-a aos cabelos [...] [..] Tirando os verdadeiros campeões, Poreda era o adversário mais sujo, difícil, potente e esperto que podia encontrar para Larry. Era o boxe, depois que você tira dele toda a poesia. Era o combate reduzido ao osso. [...] e sei que não há meio, afinal, de se defender daquilo que te pega pelas costas, é uma coisa contra a qual não há o que fazer, apenas continuar pelo próprio caminho, procurando não cair, não parar, pois ninguém é tão idiota a ponto de pensar que é possível chegar, realmente, a algum lugar de um modo diferente que vacilando, e colecionando feridas por tudo quanto é lado, e especialmente nas costas [...] Trechos do romance "City", de Alessandro Baricco, cuja leitura se me impôs na sexta-feira passada. "City" é o quarto romance de Baricco que experimento viver. Os outros foram "Seda", "Sem sangue" e "Novecentos". Fico com a impressão de que Baricco está no topo, ao largo e no mais profundo possível da condição de escritor, por onde quer que se o observe.
Escrito por Carlos Barbosa às 23h47
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ANIVERSÁRIO 
Hoje, aniversário Dela, estamos em estados diferentes. Onde Ela está, o sinal da telefonia móvel parece vagalume. Um bolo deve ter sido partido agora à noite, velas sopradas, e nos olhos Dela eu cobicei a melhor fatia. . . . Imagem: www.flickr.com, saudade, por joel marinho mg
Escrito por Carlos Barbosa às 21h48
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Aí está a capa, muito mal escaneada por mim, da edição especial para o PNBE 2009, do MEC, do romance "A dama do Velho Chico".
Escrito por Carlos Barbosa às 22h19
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